Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado a partir das 22h da última quinta-feira (10). A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas em diversas regiões do país após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela empresa durante as negociações da campanha salarial.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), a greve também foi aprovada pela representação sindical de Goiás. A entidade afirma que o movimento ocorre após sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem que as partes chegassem a um acordo.
Plano de saúde é principal ponto de conflito
Um dos principais motivos para a paralisação é a proposta de alteração nas regras do plano de saúde dos trabalhadores, aposentados e seus dependentes.
A categoria afirma que a mudança pode afetar o custeio e a garantia da assistência médica. Os sindicatos defendem a manutenção do modelo atual e cobram uma nova proposta por parte da direção dos Correios.
Os Correios, por outro lado, afirmam que a proposta apresentada mantém 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo anterior e prevê reajuste de salários e benefícios correspondente a 100% do INPC, além da manutenção da assistência à saúde.
Correios recorrem ao TST
Diante da continuidade da paralisação, os Correios acionaram o Tribunal Superior do Trabalho na sexta-feira (11). A empresa apresentou um pedido de dissídio coletivo e solicitou que a Justiça avalie a legalidade do movimento e determine a retomada dos serviços.
A Findect, entretanto, orientou os sindicatos a manterem a greve e ampliarem a mobilização a partir desta segunda-feira (14).
Agências continuam funcionando
Apesar da paralisação, os Correios informaram que as agências permanecem abertas e que a empresa adotou medidas para tentar reduzir os impactos à população.
Entre as ações estão o remanejamento de equipes, a utilização de empregados administrativos em atividades operacionais, reforço da frota e realização de mutirões para diminuir possíveis atrasos.
Ainda assim, a paralisação pode provocar atrasos na entrega de cartas e encomendas, especialmente nas regiões onde a adesão dos trabalhadores for maior. O impacto pode variar de acordo com a unidade e o serviço utilizado.
Greve ocorre em meio a crise financeira
A paralisação acontece enquanto os Correios enfrentam uma situação financeira delicada. A estatal registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 e formalizou pedido de garantia do Tesouro Nacional para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados.
O caso agora deve ser acompanhado pelo TST, enquanto trabalhadores e empresa continuam em lados opostos na negociação do acordo coletivo.
A greve permanece por tempo indeterminado e ainda não há previsão para o fim da paralisação.