Um estudante que utiliza uma bomba de insulina afirma que foi impedido de realizar o vestibular da Universidade Federal de Goiás (UFG), aplicado no último domingo (27), em Goiânia.
João Pedro Ladislau é diabético desde criança e utiliza um Sistema de Infusão Contínua de Insulina, conhecido como bomba de insulina. Segundo ele, antes do início da prova, procurou a coordenação do local para informar sobre o dispositivo e tentar realizar o exame.
O estudante conta que, mesmo apresentando o aparelho e tentando explicar a situação, foi informado de que não poderia fazer a prova. Segundo o relato, ele acabou sendo retirado do local.
A mãe do estudante, Alana Ladislau, também relatou que tentou anexar o laudo médico durante a inscrição, mas teria enfrentado problemas no sistema. Segundo ela, a família entrou em contato com o Instituto Verbena e recebeu a orientação de realizar uma nova inscrição, com pagamento de outra taxa. A família afirma que tentou novamente, mas teve problemas e decidiu não prosseguir.
O que dizem a UFG e o Instituto Verbena
Em nota à TV Anhanguera, o Instituto Verbena, responsável pela organização do processo seletivo, informou que segue as regras estabelecidas no edital. Segundo o instituto, candidatos que utilizam dispositivos médicos, como bomba de insulina, deveriam comunicar a situação previamente à comissão organizadora, por e-mail, dentro do prazo estabelecido, e apresentar a documentação exigida.
O edital prevê que candidatos que utilizem dispositivos metálicos ou eletrônicos devem comunicar formalmente a situação à comissão organizadora com antecedência e apresentar laudo médico original que comprove a necessidade e a natureza do dispositivo.
Já a UFG informou que não é exigido o pagamento de uma nova taxa de inscrição para a concessão de condições especiais e afirmou que não há orientação para que candidatos ou familiares sejam recusados no local de prova.
O caso ocorreu durante a segunda edição do vestibular próprio da UFG desde a retomada do processo seletivo. Neste ano, 27.195 candidatos realizaram as provas, aplicadas simultaneamente em oito cidades de Goiás.
A situação envolvendo o estudante deve levantar novamente a discussão sobre acessibilidade, cumprimento das regras dos editais e atendimento a candidatos que necessitam utilizar dispositivos médicos durante processos seletivos.